Jogos para Cidades


Aconteceu nos dias 20 e 21 de abril a primeira edição do Game for Cities, no Het Nieuwe Instituut, em Roterdã, na Holanda. O evento foi organizado pelos pesquisadores do Play the City e contou com a participação de nomes conhecidos no cenário internacional dos game studies, como Joost Raensens, Michiel de Lange, Martjin de Waal, Eric Gordon, dentre outros. A proposta foi discutir jogos com foco na experiência urbana, compartilhando teoria, projetos e resultados sobre o uso da cidade como recurso para game design.

Por sinal, este foi o tema da conferência de abertura no primeiro dia do evento, proferida pelo keynote speaker, Paolo Pedercini, game designer na Molleindustria. Em um dos momentos mais marcantes de sua palestra, Paolo disse que a cidade não é apenas um recurso para a projetar games; ela pode ser concebida como elemento principal da interação proporcionada pelo jogo. Neste sentido, Pedercini destacou a importância de pensar o game design como ferramenta para promover interação com sistemas computacionais.

Os trabalhos no segundo dia do Games For Cities começaram com execelente palestra de outro keynote speaker, Dr. Eric Gordon, diretor do Engagement Lab e um dos autores do livro “Netlocality: why location matters ina networked world”. Gordon baseou sua palestra na premissa de que os jogos digitais não são criados para as cidades, mas para promover encontros, sociabilidade e diversão, podendo ser concebidos como um fabuloso mecanismo para promover interações das pessoas no espaço urbano. Para sustentar sua tese, o conferencista usou como exemplo o jogo locativo Pokemon Go, mostrando um projeto realizado por ele com base nos sistemas desse game, chamado Participatory Pokemon Go Boston. Nesta direção, Eric apresentou outro projetos como o Living Cities e o Atstakegame. Por fim, Eric Gordon concluiu que os jogos digitais estão se tornando parte da cultura promovida pelas SmartCities, figurando como ferramenta para engajamento, inovação e eficiência. Finalizando, Gordon apresentou os seis passos do que ele chamou de “The Playable Problem” – confira na imagem abaixo e discuta neste post!

The Playable Problem step by step

Outro ponto alto do Game for Cities foi a possibilidade de jogar diferentes projetos focados em problemas urbanos. Os jogos usavam os mais distintos suportes – cartas, tabuleiros, hipermídia etc. Pude participar de dois deles. O primeiro foi o jogo de realidade alternativa “Submerged”, desenvolvido pelos pesquisadores Genevieve Korte e Gabriele Ferri. Este ARG nos leva para Amsterdã no ano de 2031. Após uma catástrofe, a cidade encontra-se dentro de uma redoma submersa em agua. Os game designers disponibilizaram a primeira de seis fases deste projeto para jogarmos. A mecânica que testamos era baseada em cartas e construções de personagens. Segundo me informou Gabriele, as demais fases oferecem outras mecânicas típicas dos ARGs, como interações com personagens, live action, dentre outras –  confiram as fotos destas experiência.

 

Outro jogo que pude testar foi um protótipo do The Water Game, desenhado por Karel Millernaar do Fource Labs. Este projeto é fundamentada na gestão da água, um dos grandes desafios na contemporaneidade, estimulando a busca por soluções para o gerenciamento desse recurso. A jogabilidade é toda baseada em cartas, que estipulam papéis e interações ações para os jogadores. Puder jogar junto dos organizadores do evento, dentre eles de Waal e de Lange. Tudo que rolou nesta edição do Games for Cities, como palestras, oficinas e partidas, pode ser conferido aqui.